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Informática: muito mais do que Computação, Comunicação e Controle

por Silvio Meira

Nossas vidas estão imersas em informática desde que, pelo menos, os primeiros computadores pessoais apareceram, na década de 80 do século passado. Mesmo antes disso, máquinas muito grandes, mantidas sob frio intenso em centros de computação, já tomavam conta de muitos aspectos das nossas interações, desde empregos e seguros até impostos e relacionamentos. A informática, hoje, é o "estudo da estrutura, comportamento e interação de sistemas computacionais, sejam eles naturais ou artificiais". Esta é a definição da Division of Informatics de Edinburgh, compartilhada pelo Centro de Informática da UFPE, onde trabalho desde 1978, era dos cartões perfurados, formulários contínuos, e impressoras só de letras maiúsculas (e sem acento).

 

A "informática" de Edinburgh, se tomada ao pé da letra, inclui mais do que máquinas de silício, eletrônicas, montadas em laboratório. Para Richard Dawkins, biólogo, "... a vida é um rio que flui no tempo, e não no espaço; é um rio de DNA, um rio de informação e não de ossos e tecidos: um rio de instruções abstratas para construir corpos, não um rio de corpos..." (em R. Dawkins, River out of Eden). Junte as peças, a definição de Edinburgh e a de Dawkins: o estudo do processamento de informação por nós, humanos, é parte das atribuições da informática, já que seríamos, "somente", processadores de informação, conectados, sob controle do e, também, controlando nosso meio e outros seres nele imersos. Nada tão radical quanto parece, mas inevitável: mais dia, menos dia, uma boa parte da informática vai tratar de tipos de processamento e comunicação muito mais sofisticados do que os dos mais complexos e velozes processadores e roteadores que há no mercado, hoje.

 

Cartesianamente, a informática é o espaço formado pelos três eixos ortogonais de computação, comunicação e controle, onde habitam todas as coisas que calculam ou processam informação, todas as que se comunicam e todas as que, de uma ou outra forma, estão sob controle de ou controlam alguma coisa. As teorias básicas para descrever os três eixos foram estabelecidas há mais de cinqüenta anos, entre muitos outros por Alan Turing (computação, década de 30), Claude Shannon (comunicação, anos 40) e Norbert Wiener (controle, anos 40). Os fundamentos e seus limites e problemas tratados pelos três, digamos, fundadores da informática continuam nos acompanhando há décadas e há razões para acreditar que suas descobertas são invariantes universais. Pouca gente entende, ou precisa entender, todas as teorias, técnicas e ferramentas que estão por trás de um micro ligado à internet: e tinha que ser assim mesmo, pois menos gente ainda entende uma caixa de marchas num automóvel e nem por isso deixamos de dirigi-los.

 

Desde que comecei a escrever sobre informática, no Diário de Pernambuco, em Recife, minha preocupação tem sido bastante diferente da engenharia eletrônica e computação por trás da informática e nas quais me formei. Muito mais interessante, para todos nós, do que bits e chips, é a multiplicidade de assuntos que gravita em torno da informática, hoje absolutamente central para o desenrolar da vida no planeta. O que mais me interessa, e ao público em geral, são os aspectos, impactos e efeitos sociais, econômicos, industriais, políticos, educacionais, grupais e pessoais da informática e seu uso. Por vezes competente, noutras negligente, noutras massificada e, em tantos outros cenários, ainda muito incipiente, a utilização da informática, na sociedade como um todo, ainda está em sua primeira infância.

 

Veremos muito mais informática em nossas vidas, de muito mais formas, até que ela cresça e desapareça, indo para a infra-estrutura, onde não mais conseguiremos identificar se está lá mesmo ou não. Uma espécie de eletricidade, que só nos lembramos e da falta que faz... quando falta. Mas, ao contrário da eletricidade, simples força que faz as coisas funcionarem, a informática muda a própria forma das coisas e o jeito delas funcionarem e interagirem com o ambiente. Ao invés de informática, talvez devesse ser chamada de informaticidade...

 

meira.com é sobre isto: informaticidade. A energia, as tecnologias, a criatividade, as apostas e o mundo real e virtual por trás, ao redor e dentro da informática. No passado, no presesnte e no futuro...


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